segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Império dos sentidos


Dentro da sala da biblioteca, faço menção de acender a luz. Ela diz não apenas tranque a porta e abra a janela – prefiro a luz de outros olhos.
A noite na cidade esta agitada, os carros aceleram lá embaixo e seu coração aqui dentro aposta uma corrida com o meu. As luzes da rua penetram a penumbra torneando de sombras seu corpo no momento em que vai tirando a roupa, peça por peça caindo aos seus pés descalços. A casa ao lado não fica muito longe, com sorte alguém assistirá tudo com a ajuda de um binóculo.
Sinto sua boca. Ela abre as pernas para mim e eu ponho os dedos… Um deslizar suave corre da sua nuca ao contorno de seus seios. Carmesim enrijecido: um gemido.
Ela me beija, fúria, fome. Já não tenho mais camisa, meu peito manchado de batom vermelho. Sinto seu cheiro formando ondas no ar em busca do meu. Ela me arranha, mia, ruge, implora. Eu permito.
Ela me chupa. Enquanto isso minhas mãos procuram refugio; a esquerda no teu cabelo, a direita se estende, estica como de borracha para alcançar suas cavidades. Sinto meus dedos melados, meu corpo estremece a cada movimento da sua língua. Passo meus dedos na boca para provar o seu gosto, mas eu quero mais…
Empurro seu corpo, cai no sofá e eu me curvo em reverência. Minha língua corta sua vagina como uma navalha, gosto de sexo e sangue entre as buzinas e uivos da urbe extática. Movimentos de corpos testemunhados pelos movimentos da lua — e eu sei que nalgum lugar alguém nos espia em delírio.
Mas ela não se satisfaz, nós dois queremos mais. Agarra meu pescoço, unhas vermelhas, vontade vermelha. Se você queria sangue, ela diz, terá de me dar o seu. Assassina, senta no meu rosto e tenta me matar sufocado. O mundo, num instante, é encoberto por um matiz de roxo, dor e ódio. Consigo me desvencilhar, mas percebo que seu gosto ficará para sempre na minha alma.

Eu vou me vingar de você, é o que merece. Puxo-a pelo cabelo, ela tenta fugir, mas está possuída. Desejo. Ela se entrega. Enfio meu amor até o fundo. E ela grita; Forte, forte, mais forte.
Ela grita se apavora e sorri.
Ela ordena: diga.
E eu, súdito, digo: eu te amo.
Invadindo seus pequenos segredos, orifícios, esconderijos. Sua carne para minha carne. Entranhas. Suor. Saliva. Fluidos. Açúcar. Suor no meu suor. Beba do meu suor.
 Gemidos.
Olhos fechados, comprimidos, no escuro do mundo. Até que já não exista mais mundo e tudo se faça luz. Até que ela não resista mais ou o vizinho se atire da janela contente pela visão final dos nossos corpos em chamas.
De joelhos, ela diz: eu sou sua.
E seu suor junto ao meu. Me entrego à sua sorte.

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